O ozônio é uma forma de oxigênio que ocorre naturalmente; sua estrutura molecular é formada por três átomos de oxigênio em vez dos dois habituais, e existe principalmente na parte alta da atmosfera terrestre, onde nos protege da nociva radiação ultravioleta. Além dessa característica vital de absorção de raios UV, o ozônio é um dos agentes oxidantes mais potentes da natureza e possui uma potente atividade antimicrobiana, capaz de eliminar quase todos os micro-organismos nocivos. Além disso, em condições controladas e em pequenas doses, verificou-se que o ozônio favorece a cicatrização e aumenta o fluxo sanguíneo, propriedades que o tornam um candidato útil para diversas aplicações odontológicas e médicas. Vamos explorar alguns de seus usos na odontologia funcional.

Seu papel na saúde oral e sistêmica

O ozônio já era usado na área da saúde na década de 1850 para desinfetar superfícies e instrumentos cirúrgicos; desde então, suas aplicações se expandiram para incluir a desinfecção da água potável pública e, mais recentemente, o tratamento de diversas condições odontológicas e médicas. O ozônio é utilizado na forma gasosa ou dissolvido em água ou óleo; pode ser aplicado diretamente sobre as lesões, injetado localmente ou por via sistêmica para várias condições médicas e odontológicas, como artrite, dor lombar crônica, síndrome do túnel do carpo, úlceras crônicas que não cicatrizam, doença periodontal, cáries, úlceras orais e doenças ulcerativas como o líquen plano oral, além do manejo da dor.

Como funciona?

Quando administrado em pequenas doses e de forma controlada, o ozônio tem diversos efeitos benéficos no corpo humano; possui propriedades anti-inflamatórias, analgésicas, regenerativas e antimicrobianas.

  • Efeitos antimicrobianos: essa característica essencial do ozônio decorre de sua capacidade de induzir dano oxidativo que destrói quase todos os micróbios nocivos, já que é um potente agente oxidante, muito mais forte que o oxigênio e o peróxido de hidrogênio. Esse efeito atinge em especial as bactérias anaeróbias nocivas, preservando as aeróbias benéficas. Como o ozônio se decompõe em oxigênio pouco depois da administração, cria um ambiente rico em oxigênio que favorece os micro-organismos aeróbios benéficos da boca. Além disso, não danifica o corpo humano graças à abundância de antioxidantes que protegem as nossas células.
  • Propriedades regenerativas: o ozônio acelera a cicatrização das feridas ao aumentar o fluxo sanguíneo e melhorar a oxigenação dos tecidos. Ele faz isso potencializando a atividade metabólica dos glóbulos vermelhos, tornando-os mais energéticos, o que aumenta o fornecimento de oxigênio aos tecidos.
  • Efeitos anti-inflamatórios: ao eliminar micróbios e melhorar a oxigenação, o ozônio ajuda a reduzir significativamente a inflamação e, como consequência, a dor, o que o torna uma opção valiosa no manejo das condições inflamatórias.

A combinação desses efeitos do ozônio é a base de seu uso na cicatrização de feridas, no manejo da dor e no tratamento de diversas condições infecciosas e inflamatórias.

Usos do ozônio na odontologia funcional

O ozônio foi usado pela primeira vez na odontologia na década de 1930 por um médico alemão chamado E.A. Fisch, como desinfetante e para auxiliar na cicatrização de feridas após cirurgias dentárias. Hoje, o ozônio é usado para doenças periodontais, cáries, osteonecrose do osso maxilar e diversas úlceras orais.

  1. Doença periodontal e outras infecções dentárias crônicas:
    A periodontite é uma infecção bacteriana grave das gengivas que se estende até atingir o osso maxilar e pode levar à perda dos dentes. Graças aos seus potentes efeitos antimicrobianos e regenerativos, o ozônio é útil não apenas para erradicar a infecção, mas também para estimular a cicatrização dos tecidos.
  2. Prevenção e tratamento das cáries dentárias:
    O uso de água ou óleo ozonizados elimina as cáries ao interromper a atividade bacteriana dentro da cavidade cariosa e remineralizá-la, restaurando a integridade do esmalte e prevenindo a deterioração dos dentes.
  3. Esterilização:
    O ozônio é frequentemente utilizado na odontologia para esterilizar cavidades, canais radiculares, bolsas periodontais, campos cirúrgicos e instrumentos cirúrgicos.
  4. Manejo de feridas cirúrgicas e da dor:
    Ao eliminar potencialmente o risco de infecção das feridas, estimular a cicatrização e a regeneração e reduzir a dor, o ozônio desempenha um papel fundamental no cuidado pós-cirúrgico, e verificou-se que reduz as complicações quando aplicado após a extração de um dente.
  5. Tratamento das úlceras:
    O ozônio é eficaz no tratamento das aftas, do herpes labial e do líquen plano oral; favorece a cicatrização e elimina o organismo causador no caso do herpes labial. Apresenta resultados quase imediatos quando usado para aftas, e alguns pacientes relatam cicatrização em poucas horas. No líquen plano, verificou-se que reduz os sintomas e melhora a evolução a longo prazo.
  6. Remoção do biofilme:
    Os biofilmes são agregados polimicrobianos aderentes encontrados na superfície dos dentes; contribuem para a formação de placa e podem causar infecções. O ozônio penetra nesses biofilmes e elimina as bactérias, os fungos e os vírus que podem estar em seu interior, destruindo esses agregados, o que previne a formação de placa, a descoloração dos dentes, infecções e a deterioração dos dentes.
    O uso adequado do ozônio em condições rigorosamente controladas e por profissionais capacitados provou ser uma opção eficaz, natural, minimamente invasiva e segura para o manejo de diversas condições dentárias. É também uma valiosa ferramenta preventiva, que se encaixa na abordagem holística da odontologia funcional e se alinha ao seu objetivo de tratar as causas de fundo dos problemas dentários, visando a saúde e o bem-estar gerais.

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