Muitas pessoas hoje estão optando por opções sem flúor para sua pasta de dente. Duas alternativas populares são as pastas de vidro bioativo (que contêm fosfossilicato de cálcio e sódio) e as pastas de nano-hidroxiapatita (nHA). Ambas são remineralizadoras eficazes e respaldadas pela ciência, que depositam camadas minerais sobre os dentes, mas atuam de maneiras ligeiramente diferentes. Compreender seus mecanismos e as evidências pode ajudar você a decidir se elas fazem sentido dentro da sua rotina de cuidados dentários.

Como funcionam as pastas de vidro bioativo

O vidro bioativo, frequentemente comercializado em pastas de dente, é um material amorfo de fosfossilicato de cálcio e sódio, originalmente desenvolvido para a reparação óssea. Quando essas partículas entram em contato com a saliva ou a água, elas se dissolvem e elevam o pH local, desencadeando uma cascata de formação mineral. Íons de cálcio e fosfato são liberados e se combinam com os minerais da saliva para precipitar uma camada de apatita de hidroxicarbonato (HCA) (semelhante ao mineral natural do dente) sobre o esmalte e a dentina. Essa camada de HCA tende a ocluir (tampar) os túbulos dentinários abertos que transportam os sinais nervosos, o que ajuda a aliviar a hipersensibilidade. Em termos mais simples, a pasta de vidro bioativo literalmente constrói um novo revestimento mineral sobre os seus dentes. Ela pode remineralizar as cáries e formar apatita na superfície do esmalte e da dentina, e até tem leves efeitos antibacterianos que podem ajudar a deter a cárie. No curto prazo, estudos laboratoriais e clínicos constatam de forma consistente que escovar os dentes com uma pasta de fosfossilicato de cálcio e sódio reduz a dor dentária causada pela sensibilidade.

É importante destacar que o vidro bioativo também pode ter um benefício indireto contra as cáries. Ao se dissolver e liberar minerais, ele tende a neutralizar o ácido e a desestimular o crescimento bacteriano. Algumas pesquisas mostram que ele pode elevar o pH da superfície do dente e até inibir as bactérias causadoras de cárie, o que poderia ajudar a prevenir ou retardar a cárie. No entanto, os ensaios de alta qualidade em humanos sobre a reversão real de cáries ainda são limitados.

E quanto às pastas de nano-hidroxiapatita?

A nano-hidroxiapatita (nHA) é outra estratégia sem flúor. Ela consiste em minúsculos cristais do mesmo mineral (hidroxiapatita) que o esmalte dos seus dentes. A ideia é que essas nanopartículas possam preencher as cavidades microscópicas do esmalte e da dentina desmineralizados, atuando essencialmente como um reservatório mineral. Na saliva, elas ajudam a manter uma alta concentração de cálcio e fosfato na superfície do dente, favorecendo o crescimento natural de cristais e a reparação. Estudos mostram que as pastas de nHA podem conter a cárie inicial e aliviar a sensibilidade. Experimentos iniciais de laboratório e in situ (dentro da boca) constataram que as partículas de nHA realmente se depositam sobre as superfícies do esmalte e da dentina, formando uma camada protetora que tampa os túbulos.

Diferentemente do vidro bioativo, a nHA não libera sódio nem altera significativamente o pH. Em vez disso, ela atua fornecendo diretamente cristais de tamanho nanométrico que se integram à superfície do dente. Ambas as abordagens selam os túbulos e fortalecem o esmalte, mas a nHA costuma ser considerada mais “biomimética”, enquanto o vidro bioativo é um vidro reativo que também carrega um efeito alcalinizante na superfície. Na prática, muitos pacientes acham ambos os tipos de pasta reconfortantes. Alguns dentistas até as alternam.

Comparando o vidro bioativo e a nano-HA

  • Fonte mineral: o vidro bioativo contém sílica junto com cálcio, sódio e fosfato, por isso eleva o pH. A nano-HA é fosfato de cálcio puro (apatita), essencialmente microcristais de mineral dentário.
  • Mecanismo: ambos ocluem os túbulos dentinários, mas o vidro bioativo faz isso dissolvendo-se e precipitando uma nova camada, enquanto as partículas de nHA preenchem fisicamente as aberturas dos túbulos e cristalizam.
  • Evidência para a sensibilidade: ambos têm dados positivos. Múltiplos ensaios relatam que as pastas de fosfato de cálcio e sódio e as pastas de nHA podem reduzir significativamente a dor por hipersensibilidade com o uso regular.
  • Evidência para as cáries: a pesquisa laboratorial é sólida para ambos. Os ensaios clínicos são poucos.
  • Sem flúor: se você quer evitar o flúor, ambos são atraentes. A nHA é totalmente livre de flúor. As pastas de vidro bioativo também costumam vir em formulações “sem flúor”.

Em resumo, ambas as pastas podem ser ferramentas úteis para dessensibilizar e, potencialmente, fortalecer o esmalte. A escolha pode depender da sensibilidade e da preferência pessoal. Um dentista pode recomendar experimentar uma por algumas semanas e trocar, se necessário.

Outras ferramentas para garantir dentes saudáveis

Além das pastas remineralizadoras, você pode explorar outras abordagens não tradicionais. Aqui vai um panorama rápido:

  • Probióticos orais: são suplementos que contêm bactérias “boas” para equilibrar a flora bucal, o que ajudará a eliminar as bactérias causadoras de cárie e a prevenir a cárie dentária.
  • Terapia com ozônio: gás ozônio ou água ozonizada são usados para matar bactérias nocivas e acelerar a cicatrização.
  • Peptídeo P11-4: é uma tecnologia mais recente na qual um peptídeo automontável é aplicado sobre lesões iniciais do esmalte. Isso forma uma matriz de sustentação no interior da lesão, atraindo cálcio e fosfato para reconstruir o esmalte.

Dicas para usar as pastas remineralizadoras

  • Siga as instruções: as pastas remineralizadoras costumam exigir um contato mais prolongado do que a pasta de dente comum. Aplique uma quantidade do tamanho de uma ervilha e escove ou esfregue suavemente sobre as superfícies dos dentes, depois cuspa, mas não enxague imediatamente. Dê alguns minutos para que os minerais atuem antes de enxaguar completamente.
  • Frequência: essas pastas são normalmente usadas uma ou duas vezes ao dia, assim como a pasta de dente comum. A consistência ao longo de semanas é fundamental para ver benefícios.
  • Use nas áreas problemáticas: para a sensibilidade, concentre-se nas raízes expostas ou nos pontos desgastados. Para a cárie inicial, escove todas as superfícies, especialmente os sulcos e as fissuras.
  • Combine com bons hábitos: nenhuma pasta pode corrigir uma dieta rica em açúcar. Limite os lanches e bebidas açucarados, mantenha-se hidratado e considere suplementos como cálcio ou vitamina D, se recomendado.
  • Tenha paciência: os efeitos dessensibilizantes costumam aparecer em 2 a 4 semanas. O endurecimento do esmalte é mais lento.

Se você tem dúvidas sobre o cuidado sem flúor ou as opções remineralizadoras, estamos aqui para ajudar. Ligue para a nossa clínica ou agende uma consulta para um plano personalizado. Nossa equipe pode avaliar suas necessidades e mostrar como essas pastas avançadas se encaixam em uma estratégia holística de saúde bucal.

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