O jejum é praticado há milênios por muitas culturas ao redor do mundo por seus benefícios físicos e espirituais, e a ciência só agora está redescobrindo sua importância na promoção da saúde: desde preservar a integridade da barreira intestinal e fortalecer o sistema imunológico até melhorar a saúde mental. O jejum é reconhecido como uma ferramenta simples, porém poderosa, para otimizar o corpo e potencializar o desempenho.
A ciência por trás do jejum
O jejum altera o corpo em nível molecular; melhora a forma como as células utilizam o açúcar ao modificar o metabolismo da glicose e a sensibilidade à insulina, e induz a cetose, um estado metabólico que depende dos lipídios como principal fonte de energia, queimando as reservas de gordura do corpo e ajudando a perder peso. Também ativa vias celulares que melhoram a regeneração celular, reparando o corpo e impulsionando a longevidade. Existem diferentes métodos de jejum ou restrição alimentar reconhecidos e respaldados por evidências científicas. O jejum intermitente é um ciclo de períodos relativamente curtos de restrição alimentar (de 12 a 24 horas) seguidos de períodos de alimentação de duração semelhante. O jejum prolongado ou periódico, por sua vez, consiste em até 21 dias de consumo exclusivo de água, seguidos de pelo menos 7 dias de alimentação. Diversos estudos associaram esses métodos de jejum a uma maior longevidade e a um menor risco de doenças crônicas e distúrbios metabólicos.
O jejum e a longevidade
O jejum retarda o envelhecimento celular e fortalece a regeneração e a substituição de células danificadas e velhas; inicia um processo chamado autofagia, no qual as células digerem e reciclam organelas velhas e disfuncionais. Além disso, por meio de complexas vias hormonais e metabólicas, o jejum ativa a morte celular programada, ou apoptose, e estimula as células-tronco a substituir as que estão morrendo, renovando assim os tecidos e as populações celulares. Ao retardar o envelhecimento do corpo e até revertê-lo, o jejum reduz substancialmente o risco da maioria das doenças crônicas associadas à idade, como distúrbios cardiovasculares, diabetes, condições neurodegenerativas e câncer.
O papel protetor do jejum no intestino
Além de seus efeitos sobre a longevidade, o jejum “reinicia” a microbiota intestinal. Diversos estudos observaram que ele tem um impacto positivo na composição e na diversidade da microbiota do intestino, favorecendo o crescimento de bactérias benéficas e reduzindo a quantidade das prejudiciais. Os níveis de ácidos graxos de cadeia curta aumentam após os períodos de jejum; essa forma saudável de gordura é produzida no intestino pela ação da microbiota intestinal e melhora o metabolismo do açúcar e das gorduras. Outro efeito observado do jejum sobre o intestino é a redução da inflamação; ele tem um efeito calmante sobre o sistema imunológico, diminuindo as substâncias pró-inflamatórias do corpo e regulando a função das células imunológicas. Isso, aliado ao efeito sobre a microbiota intestinal, torna o jejum uma solução simples para o intestino permeável, protegendo a barreira intestinal.
O jejum para uma mente mais afiada
Você já percebeu que pensa com mais clareza de estômago vazio? Acontece que esse é um efeito real do jejum, comprovado cientificamente; ele melhora a função cognitiva, aguça a memória e, de modo geral, eleva o desempenho do cérebro. O jejum aumenta os níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro, uma proteína responsável pela sobrevivência dos neurônios. Níveis baixos dessa proteína estão associados a uma pior saúde cerebral e a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer, de modo que o jejum não apenas melhora a concentração, mas também protege o cérebro e previne as condições degenerativas associadas à idade, somando-se assim aos seus benefícios para a longevidade.
Acha o jejum difícil demais? Experimente uma dieta que imita o jejum
Se restringir totalmente a comida parece um desafio para você, uma dieta que imita o jejum pode ser a solução. É um tipo de dieta que restringe os carboidratos e as proteínas e é composta principalmente por vegetais, oleaginosas, sementes e óleos saudáveis como o azeite de oliva. Esse tipo de dieta não ativa as vias de detecção de nutrientes que normalmente são acionadas após a alimentação, de modo que imita o jejum ao mesmo tempo em que fornece algumas calorias e nutrientes.
Dicas para jejuar com mais segurança
Seja você adepto do jejum intermitente, do jejum prolongado ou das dietas que imitam o jejum, aqui estão algumas dicas para ajudá-lo a praticar o jejum com segurança:
- Informe-se bem e consulte um profissional capacitado antes de começar; ele pode ajudá-lo a escolher qual tipo de jejum é mais adequado para você.
- O período de alimentação é tão importante quanto o de jejum; certifique-se de obter nutrientes e calorias suficientes para que seu corpo possa se reparar e se regenerar.
- Se você está grávida, amamentando ou tem um transtorno alimentar, é melhor evitar o jejum sem antes consultar seu médico.
O jejum é uma prática ancestral e, quando feito corretamente, faz maravilhas pela saúde física e mental. Consulte agora nossos profissionais para descobrir se o jejum é adequado para você. Ele pode ser a sua chave para uma mente mais clara e um corpo mais saudável.
Referências
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